23.2.07

O Brincador

Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor. Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for. Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for. Quando for grande, quero ser brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor. Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador...
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida". Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser um brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever "Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras". (Álvaro Magalhães, "O Brincador", 2005)

Alguém, quer ir brincar às escondidas?

6 comentários:

Eunice Rosado disse...

excelente!!! adorei

LadyBug disse...

Quando é que vamos andar de bicicleta no Parque das Nações??

Eunice Rosado disse...

Domingo... lol

Anónimo disse...

Onde?

LadyBug disse...

Eu sugiro que seja no Parque das Nações, pode ser??

Nuno Barreto disse...

Por mim pode :)